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in "REVISTA FAROL" - Vol 2 # 3 Abr/90 Página 7
LINGUAGEM É VIDA
Está mais do que comprovado que não se pode analizar a linguagem como sendo algo
estático ou imutável, ou seja, um produto proveniente da interpretação de certas regras
ortodoxas compiladas em compêndios por nós já bem conhecidos.
Quando essas regras são "forçadas", ou seja, introduzidas por vias de gabinete, ou
atravez de qualquer outro artifício que faça por desconhecer propositadamente a vontade
popular, ou por qualquer outro motivo obscuro não menos desprezível, então chegamos ao
ponto aonde o Caboverdeano, que não tenha problemas de memória, consegue relembrar o
não menos tenebroso momento do despotismo vivido até há bem pouco tempo.
Precisamos entender, de uma vêz por todas, que não podemos ter a pretensão de
pré-determinarmos algo que não nos pertence (a nível pessoal), algo que deve ser
conjugado no plural e não no singular.
Aliás, esse fenómeno hoje está atraindo cada vêz mais e mais adeptos, como se com isso
pudessemos salvar (?) o mundo de eminente catástrofe.
No campo musical acontece o mesmo, aonde o artista cada vêz mais vai se distanciando
da vontade popular, como se ele pudesse num toque de mágica revolucionar ou desmantelar
todo um monumento construido pedra após pedra, por anos e anos, sem se lembrar que o
artista sem público não é nada. Mas, (desculpem-me) isso é assunto para um próximo
artigo.
Se quizermos andar de mãos dadas com a realidade e a verdade, temos que nos colocarmos
na posição de analizadores de um fenómeno mutante e dinâmico e, a partir daí, retirar
as conclusões necessárias para a construção de certas normas gramaticais que regem a
nossa lingua.
Essa posição de espectadores de um desfile, (fazendo uma analogia ao carnaval
brasileiro, caso isso me seja permitido), cuja tendência evolutiva está estampada em
cada ala e, como tal, constituindo-se de uma nuance dentro de uma estrutura constante
porém não sólida que é a "escola de samba", nos permite analizar esse fenómeno
multifacetado de que se constitui a expressão oral da espécie humana, tirando daí
parâmetros fundamentais para a avaliação e aprendizagem da nossa lingua e de outras
línguas.
Porém, quero que me entendam na totalidade, uma vêz que a verdade é bonita e deve ser
exercitada sempre que possível.
Não compete a mim, no ambito deste artigo, discriminar quem está certo ou quem não
está, quem tem mais razão ou quem tem menos razão. Aliás, isso seria muita pretensão
da minha parte.
Contudo, vendo que as regras do jogo estão sendo deturpadas e alteradas por
conveniência ou por qualquer outro motivo, como qualquer Caboverdeano que se preze,
tenho o direito inalienável de expressar minha opinião e, se possível, contribuir para
que a nossa cultura, a nossa gente, a nossa língua sejam mais respeitadas e
dignificadas do que vem acontecendo até o presente momento.
Com a ponta do véu levantada, e tendo consciência de que muito existe por dizer sobre
assunto tão controverso, convido os que se interessam por essa temática para que, de
forma eloquente e digna, se sirvam do "Farol" como forum para a veiculação de suas
ideias.
By Vuca Pinheiro
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