SERENATA CABOVERDEANA

      A luz amena e empaledecida
               da lua distante,
      Acordes conhecidos do violão
               previzíveis e sempre benvindos,

      A choradinha e as quadras soltas
               embalando a noite que se prolonga,
      A morna, a nossa eterna morna,
               razão de ser do enamorado,

      O cantor que desvenda a sua paixão
               na voz cheia de emoção,
      A solidariedade dos amigos,
               a zanga menos provável de uma mãe zelosa,

      A espectativa de um coração angustiante
               pelo amanhecer que se avizinha,
      A prometida que se imagina estar
               atrás da janela espiando,

      A canja quentinha e reconfortante,
               galinha furtada e por isso deliciosa,
      Acompanhada do veneno branco
               que activa a nossa fértil imaginação.

      Meu Deus, como sinto falta
               da minha serenata Caboverdeana!


            Vuca Pinheiro