O SENTIMENTO DE CULPA

Parafraseando o célebre compositor brasileiro Caetano Veloso:

"Trazer uma aflição dentro do peito
é dar vida a um defeito
que se extingue com a razão"
.

Sentirmo-nos culpados é, em muitas ocasiões, cultivar um sentimento
que nos deprime e nos minimiza cada vez mais; é fomentar o
pessimismo; é destruir toda a possibilidade de recuperação de uma
situação menos feliz; é esperar que o tempo volte para traz para que
possamos reparar o erro.

Essa atitude, quase sempre proveniente de um perfeccionista, tem a
faculdade de torturá-lo pelo erro que não devia ter cometido, como se
ele não pertencesse à raça humana.

Todo o ser humano erra, por mais perfeccionista que pretenda ser.
No entanto,
saber tirar proveito do erro cometido
é algo que o perfeccionista devia saber,


mas que quase sempre desconhece, porque a sua preocupação
principal, ou o foco da sua atenção, é fazer tudo perfeito e nunca
errar
.

Ainda que neste trabalho não seja nossa intenção estudar ou analizar o
perfeccionismo, não podemos deixar de elaborar um pouco, uma vez
que o sentimento de culpa, na maioria dos casos, está directamente
relacionado com o perfeccionismo. Porém aqui focalizaremos mais
no sentido de inverter essa situação com certos exercícios fácilmente
executáveis e altamente eficientes.

Primeiramente evitemos internalizar qualquer sentimento culposo que
possa advir de uma situação menos feliz. Um artifício de que
podemos lançar mão é ridicularizar todos os aspectos dessa situação
adversa, de maneira a tirar todo o peso de possíveis consequências
negativas para o nosso comportamento futuro.

Revivamos certas cenas que nos tenham acontecido num momento
menos feliz da nossa vida, num momento em que realmente sentimos
que o chão se abriu debaixo de nossos pés. Imaginemos essas
mesmas cenas passadas numa sala de cinema mas em ordem inversa
daquela que realmente aconteceram. O som, é claro, com todos
aqueles grunhidos de um áudio tocado no sentido inverso.

Mantenhamo-nos afastados da cena de maneira a sermos assistentes
privilegiados da situação que se desenrola perante nossos olhos. É
claro que isso exige um pouco de prática.

Analizando as cenas fácilmente chegaremos à conclusão do ridículo e
da comicidade da situação e, automáticamente, o peso do sentimento
de culpa que nos atormentava desaparece, como que por encanto, para
dar lugar a uma situação engraçada e cómica.