O CIÚME

Para que possamos viver uma vida harmoniosa e significativa, é
necessário ultrapassar alguns obstáculos, e um deles é o medo de
perder alguém que amamos, de perder um ente familiar, de perder um
amigo, de sermos rejeitados, humilhados, desprezados, etc. Esse
medo que nos acompanha todos os dias e que faz miséria da nossa
vida tem o nome de ciúme.

Afinal, o que é o ciúme? O ciúme é o medo que sentimos de algum
dia sermos dispensáveis à pessoa com a qual nos relacionamos; é o
medo de que falem mal de nós; é o medo de sermos abandonados,
rejeitados ou menosprezados; é o medo de não mais sermos
importantes; é o medo de não sermos amados; o medo de não
possuirmos ou sermos donos de alguém; enfim, é o medo da solidão.

Numa relação ciumenta somos tratados como objectos.
Perdemos toda a nossa identidade para sermos o que a outra pessoa
quer que sejamos, assim como fazemos tudo para que
a outra pessoa seja o que desejamos que ela seja, enfim, não há
aceitação mútua.

Nesse tipo de relação, desprovida de identidade própria, não é
incomum vivermos frases como "não sei viver sem você", ou "você é
tudo para mim", ou ainda "eu sem você não sou ninguém".

É uma relação doentia e destrutiva, na qual somos usados pela outra
pessoa (ou usamos a outra pessoa) como uma garantia de que não
seremos abandonados, de que não seremos desrespeitados, de que não
seremos desprezados.

A relação amorosa constitui-se de um fenómeno oposto, onde o
desprendimento e a admiração mútua dão a tónica do entendimento e
da compreensão.

Nessa relação nós temos uma identidade própria. Desejamos o bem à
pessoa amada e fazemos tudo para que ela se sinta feliz, sem esperar
recompensa. Sentimo-nos radiantes quando vemos que
proporcionamos bem a alguém, quando vemos a felicidade estampada
no rosto da pessoa que amamos.

O ciúme condiciona as pessoas a viverem um "certo" tipo de vida.
Uma vida em que o "medo de ser dispensável" ocupa uma posição
central dentro do escopo do nosso pensamento, sem nos lembrarmos
de que o ser humano já é por definição dispensável, transitório e
substituível.

Essa talvez seja a única verdade do universo humano:

neste mundo somos passageiros.

Não devemos esquecer de que...

o mundo sempre existiu sem nós,
está existindo conosco e
continuará existindo sem nós num futuro próximo.

A eternidade das coisas ou acontecimentos é uma premissa para
indivíduos que têm medo de perder algo na vida. Para eles algo só
vale a pena se for eterno, ou, em outras palavras, se tiverem uma
garantia de que será sempre assim. E, como a realidade é outra, ou
seja, tudo é passageiro, o ciumento vive num constante estado de
sofrimento.

Por isso, é preciso conhecermos profundamente esse estado emotivo
para que saibamos contorná-lo, vencê-lo e usá-lo como trampolim
para uma realidade mais positiva e brilhante.