BINÓMIO "PRAZER-DOR"

Afinal, o que é que nos faz actuar de uma certa forma? O que é que
nos compele a aceder a certos impulsos, enquanto que outros são
repelidos com tanta veemência? O que é que nos obriga a pisar certos
caminhos mesmo sabendo que estamos errados em tomar essa via ?
O que é que enfim nos compele a ofuscar o óbvio em favor do
duvidoso ou do notóriamente errado ?

Pondo de lado todas as vicissitudes da vida que nos guiaram, nos
enalteceram, nos rebaixaram, nos moldaram ou nos conduziram até os
dias de hoje, (que não são mais do que influências do meio-ambiente
e dos nossos ancestrais na formação do nosso carácter), todos nós
temos algo em comum. Todos nós temos uma certa tendência em
actuar, neste grande palco que é a vida, de uma forma similar no que
tange a procura do prazer. Tudo que nos transmite alguma sensação
de natureza prazeirosa, instintivamente procuramos aceder a esse
impulso, procurando nos desculpar de todas as formas por atitudes
que tenhamos tomado ou possamos vir a tomar no que diz respeito à
procura e aceitação desse estado norteado pelo prazer, e à rejeição do
diametralmente oposto, ou seja, a dor.

Por mais que procuremos nos contradizer, o nosso comportamento
gira ao redor do binómio “PRAZER - DOR”.

Constantemente procuramos obter prazer enquanto que
evitamos a dor a todo o custo.


Este é um fenómeno que não nos pode passar despercebido se
quizermos entender o nosso comportamento.

Ao analizarmos a evolução da espécie humana, desde o
desenvolvimento das habitações, passando pelos transportes, pelas
diversas formas e aplicações da energia, pela tecnologia em geral, não
é difícil chegarmos à conclusão de que tudo que fizemos até hoje
teve, tem e terá um único objectivo: o de melhorarmos nossa
qualidade de vida; o de nos sentirmos mais felizes; o de sentirmos
mais sensações de prazer
; o de evitarmos tudo que nos possa
transmitir sensações dolorosas
; em última instância, o de
maximizarmos o prazer e o de minimizarmos a dor.

Essa situação é tão óbvia, intuitiva e tão primitiva que:

  • Quando retiramos os óculos para descansarmos a vista,
    geralmente não nos apercebemos de que estamos intuitivamente
    combatendo a dor provocada pela fadiga, e que procuramos a
    todo o custo aquela sensação de alívio proveniente do retirar os
    óculos da face e descansá-los sobre a mesa.

  • Quando sentamos, após termos andado a pé por um bom periodo
    de tempo, não estamos mais do que providenciando prazer a nós
    mesmos, no sentido de descansarmos os músculos da perna que
    sustentam o nosso corpo.

  • Quando tomamos um banho não estamos mais do que buscando
    o prazer da sensação de frescura que a água e o sabonete nos
    proporcionam, enquanto que evitamos o desconforto provocado
    pelo suor.

  • Mais e mais exemplos curriqueiros da nossa vida poderiam aqui
    ser abordados, mas todos eles cairiam dentro do mesmo padrão:
    evitar a dor e o mal-estar e maximizar o prazer.
Portanto, quando nos inclinamos a fazer algo é porque isso nos dá
prazer, enquanto que tudo aquilo que nos possa transmitir dor ou uma
sensação incômoda, a nossa mente está treinada para reagir e repelir a
sensação dolorosa a qualquer custo.

Assim, se quizermos ter algum controle sobre o nosso
comportamento, torna-se absolutamente necessário, não sómente
reconhecer ou ter consciência daquilo que nos dá prazer ou nos
transmite dor, como também aprender a mudar o foco da nossa
atenção
para que passemos a encontrar prazer naquilo que outrora nos
transmitia dor, ou vice-versa.

Para atingirmos esse fim, precisamos aprender a programar ou a
reprogramar a nossa mente. Precisamos...

  1. identificar o ciclo (pattern) de actuação da nossa mente no
    que se refere a uma determinada situação
  2. interromper esse fluxo e
  3. encorajar a introdução de novas atitudes, de maneira a
    interromper esse ciclo vicioso.
Diversas técnicas vêm sendo utilizadas ao longo dos anos para se
conseguir introduzir novas atitudes comportamentais e assim
modificarmos sensivelmente a nossa maneira de ser. Na medida em
que conseguirmos aceitar e adotar essas novas ideias e filosofias,
assim teremos caminhado na direcção de uma mudança significativa
no que se refere à qualidade da nossa vida para melhor.

Seguidamente analizaremos algumas dessas técnicas.