NOSSA ATITUDE EM FUNÇÃO DE PERGUNTAS E
RESPOSTAS


Nós agimos muito em função do que falamos para nós mesmos. Esse
fenómeno é chamado de "self-talk". Afinal, quando estamos
PENSANDO não estamos mais do que exercitando o "self-talk", ou
seja, falamos para nós mesmos, questionando e respondendo.

A todo momento estamos formulando perguntas a nós mesmos, e
reagimos de acordo com as respostas que dermos a essas perguntas.
É um fenómeno extremamente importante, poderoso e constante do
dia-a-dia e, definitivamente, algo que podemos e devemos utilizar a
nosso favor.

Quantas vezes perguntamos a nós mesmos "o que é que eu vou fazer
lá?"
e a resposta vem quase que de seguida "não, não vou não.".
Pode ser que nesse momento tenhamos perdido a oportunidade da
nossa vida, aquela oportunidade que nunca mais volta a acontecer.

Se, ao invés dessa pergunta negativa formularmos uma outra no
lugar, como "porque não ir até lá? Só vou perder 10 minutos do meu
lazer."
a resposta será definitivamente positiva porque na pergunta já
afastamos o teor negativo
ou os obstáculos que nos impediriam de ir
até lá.

Quase sempre a afirmação negativa "eu não sou capaz de fazer isso"
tem tudo de verdade e nada de mentira, porque se nós não
acreditarmos em nós mesmos, quem irá fazê-lo?

Definitivamente, a qualidade da resposta está intrínsicamente ligada à
qualidade da pergunta.

Precisamos dotarmo-nos de certas filosofias que nos guiem para o
positivismo. E isso passa naturalmente e necessáriamente pela
auto-confiança.

Experimentemos a seguinte filosofia:

Eu sou capaz de fazer tudo na vida.
A única coisa que preciso é conhecer os passos
que terei que dar para conseguir esse fim,


ou ainda uma outra verbalmente mais pretenciosa mas não menos
poderosa:

Se algo foi feito pelo homem,
eu também posso fazê-lo,
só me resta aprender ou descobrir como.


Adoptando qualquer uma dessas filosofias, ou as duas, em vez de
atormentarmos a nossa mente com perguntas negativas,
surpreendentemente a pergunta que constantemente nos vem à
memória é "como é que eu vou fazer isso?", ou então, "o que é que
eu devo aprender para ultrapassar esse obstáculo?"
.

Qualquer uma dessas filosofias (para mim são equivalentes na sua
função básica) tem a força e a vantagem de eliminar o negativismo,
abrindo as portas para o optimismo e o positivismo. A sua pura e
simples adopção traz no seu bojo o milagre de interromper ciclos
viciosos de natureza negativa
, dando lugar a opções de ordem
criativa.

Porém, não podemos esquecer de que o que muda ou o que
impulsiona o nosso destino, de forma a atingirmos um nível de vida
melhor, não é sómente a quantidade e a qualidade de perguntas que
fazemos a nós mesmos, mas também as perguntas que deixamos de
fazer. Em outras palavras, devemos ponderar todas as situações e
fazer perguntas reais, passíveis de retornarem respostas positivas, não
esquecendo de analizar situações totalmente inacessíveis, que
necessáriamente não vão nos retornar respostas positivas.

O previsível de um ciclo vicioso negativo, aos olhos de um
pessimista, é menos dolorido do que uma situação completamente
nova que exige uma nova interpretação dos factos e, especialmente,
algo que definitivamente não está no seu vocabulário, que é a tomada
de decisões. É justamente aqui que o fenómeno "self-talk",
positivamente executado, pode fazer uma grande diferença,
proporcionando profundas alterações de comportamento.

Nunca é demais reafirmar que precisamos exercitar o nosso poder de
identificar e interromper ciclos viciosos e criar novas opções. Se não
o fizermos, o comodismo comandará as nossas acções e o ciclo tende
a perpectuar-se. E, uma das formas de quebrarmos ou
interrompermos esse ciclo é exactamente mudarmos o nosso sistema
de perguntas durante o fenómeno "self-Talk"
.

Não devemos esquecer de que todo o progresso humano está baseado
em novas perguntas que, inevitávelmente, promoverão respostas
novas. Um hábito que devemos cultivar todos os dias é sempre fazer
uma pergunta nova, inteligente e positiva a nós mesmos, todas as
vezes que o Sol nasce.

Está mais do que provado de que, se nos fizermos perguntas positivas
por certo obteremos respostas positivas. Assim, quando algo de mau
nos acontece, em vez de nos crucificarmos por aquilo que não
pudemos antever, com perguntas que nos incriminam e nos
mergulham ainda mais no pessimismo, devemos dar a volta por cima
e perguntar "o que é que eu posso aprender com todo esse
processo?"
, ou "como é que eu vou evitar que isso me aconteça de
novo?"
.

Sintetizando, em cada situação negativa devemos sempre procurar o
algo de positivo que existe em todo o negativo, e esse processo
sómente é consumado quando fizermos a nós mesmos perguntas que
originem respostas positivas ou respostas felizes.

O pessimismo só arrasta mais pessimismo. Se temos uma arma
natural para combater esse pessimismo, a pergunta vem logo a seguir
"E porque não? Nada tenho a perder".

Aplicações do fenómeno "self-talk" não têm fim, uma vez que podem
abranger qualquer área do nosso pensamento, fazendo, deste modo,
do "self-talk" um dos agentes de mudança por excelência.

Outrossim, se quizermos aprender uma língua estrangeira, o mais
óbvio é praticarmos o "self-talk" na língua que pretendemos aprender.
Fazendo esse exercício de uma forma diária, dentro de pouco tempo
surpreender-nos-emos falando essa língua estrangeira com maior
fluência do que se praticássemos a aprendizagem mais tradicional.